Descrição
“Atualmente, escrever poemas sobre Gaza é, ao mesmo tempo, um modo de registrar nossa não conivência com o genocídio do povo palestino pelo estado de Israel e seus aliados e de nos revoltarmos contra a própria impotência da palavra literária. Se não podemos fazer nada para parar o genocídio, então esperneamos, então nós gritamos. Tentamos rasurar, ainda que minimamente, as páginas da narrativa midiática. Neste momento dramático da história, acreditamos ser importante registrar que, no Brasil, houve vozes que se levantaram contra o genocídio do povo palestino, que se indignaram, lamentaram, enfim, vozes que não se calaram. Esta antologia reflete sobre o papel da poesia diante do horror em Gaza, e é também um gesto de indignação, resistência e solidariedade, por uma Palestina livre, do rio ao mar.”
Eleazar Carrias
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“Porque escrever este livro hoje não é sustentar neutralidade. Os autores aqui reunidos operam em um campo atravessado por riscos difusos. Não apenas riscos simbólicos, mas riscos concretos, ainda que muitas vezes não declarados. Em um mundo onde as fronteiras se tornam novamente rígidas, onde deslocamentos podem ser monitorados, onde posições públicas podem ser arquivadas e reativadas, escrever sobre Gaza, genocídio, ocupação, morte, já não é apenas produzir linguagem. É se expor, é testemunhar diante do terror de um mundo enclausurado, perverso em suas formas de captura e confinado em suas fronteiras. Trata-se de reconhecer um clima em que escrever pode ter consequências. Um clima em que certas palavras podem aderir ao nome de quem as escreveu. Um clima em que a escrita pode circular, ser capturada, armazenada, recontextualizada no futuro.
Os autores deste livro escrevem nesse horizonte. Escrevem sabendo, ainda que em graus diferentes, que a escrita, quando atravessada por sistemas de conexão online, torna-se potencialmente unidade de rastreamento semântico. Faz-se necessário, portanto, uma coragem no ato de escrever. Uma coragem que não se apresenta como heroísmo, mas como insistência, resistência e ruptura de governança discursiva. Escrever, no contexto de Gaza, torna-se um gesto que atravessa campos estéticos, éticos, políticos, ecológicos, técnicos.”
Marcelo Fontes (@deleuzerecombination),
trecho do posfácio.
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PARTICIPAM DESTA ANTOLOGIA
Adelaide Ivánova, Adriane Garcia, Alexandre Fernandes, Aloisio Romanelli, Ana Meireles, André Foltran, André Luiz Pinto, André Tessaro Pelinser, Angel Cabeza, Benedito Costa Neto, Brenno Costa, Bruno Pacífico, Caio Bulla, Carlos Canhameiro, Carlos Orfeu, Casé Lontra Marques, Christian Dancini, Clei Souza, Daniel da Rocha Leite, Diego Gregório, Diogo Santiago, Djalma Santiago, Edir Augusto Dias Pereira, Edmon Neto, Eduardo Protázio Filgueiras, Eleazar Carrias, Eliane Coelho, Everton Rocha, Fabiana Grieco, Fellipe Fernandes F. Cardoso, Fernanda Nali, Helena Arruda, Heliana Barriga, Isaías Gabriel Franco, Jansen Hinkel, José Inácio Vieira de Melo, José Ronaldo Siqueira, Jr. Bellé, Juliano De Ros, Kaio Phelipe, Karina G. de Sá, Kátia Borges, Leonam Cunha, Lineker Campos, Lucas Viriato, Luciana de Oliveira Cruz, Manoella Valadares, Marcelo Fontes, Márcia Huber, Marcos Samuel Costa, Mestre Américo, Mírian Freitas, Nadja Rodrigues de Oliveira, Noélia Ribeiro, Nuno Gonçalves Pereira, Nuno Rau, Paulo Fernandes, Pedro Gontijo, Rodrigo Barata, Rogério Felipe Santos Teixeira, Sidney Prando Lindini, Sílfide Violeta, Silvana Guimarães, Silvaney Silva, Silvia Schmidt, Tainá Suppi Pinto, Talita Tibola, Thaís Campolina, Thais Cesca, Vinícius Cannavô, Vitor Cei, Wanda Monteiro e Ytalla Frazão.
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Outras informações:
Título: O que pode um poema em tempos de genocídio? — uma antologia para não esquecer Gaza
Autor: Vários / org. Eleazar Carrias
Gênero: Poesia
Tamanho: 14 x 21 cm
Páginas: 152
Papel: Polén Bold 90 g/m²
ISBN: 978-65-989287-8-0
Ano: 2026


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