Descrição
Silvia Pina mergulha num mar em fúria contra uma tempestade invisível. O livro traz como epigrafe o poema Atlântico de Sophia de Mello Breyner: Mar/ metade de minha alma é feita de Maresia. Seus poemas são somíticos, a exemplo de outra saudosa escritora tocada pelas águas atlânticas, Iara Vieira. Com um rio de palavras /atadas […] na bagagem, turvas ondas/ areias em desencontros a poeta faz emergir o Delírio, a poesia que abre o livro como um rio que namora o marítimo na foz. Seus versos crescem feito ondas no mar do furioso e instável Poseidon. A despeito da economia de palavras, vão se agigantando e até flertam de longe com tsunamis: diante dos escombros/ junto os cacos/ colo sonhos.
A poética de Silvia surge no embate existencial de onda contra rochedo. A ardência do sal do vazio e de suas areias que grudam não se esquece das pequenas belezas, dos fugazes momentos alegres da vida, que duram menos do que um mergulho livre. E assim a felicidade vem como um fôlego doce e suave num mar que enfim termina em ondas acariciando o solo, com suas espumas e sais que tratam das malesas da alma e enfermidades do corpo: “a cura para qualquer coisa é água salgada: lágrimas, suor ou o mar” (Karen Blixen).
A sensualidade aparece como a sereia Iara. A sexualidade e o medo, não é medo do mar/ é medo de mim/ diluída em água, expõe a poeta pisciana emotiva ao extremo, implicada na estória da mulher contada pelo homem, vista como um monstro e mártir sombria, (seria essa a causa da misoginia e feminicídio?). Sexualidade essa que se mostra envolta de mistérios marítimos: ouvi sua voz/ som de mar/ águas em ondas, esperando o toque de desejosas mãos incisivas quais os raios de Iansã, prometendo chuvas gozosas que tornam as mulheres: “Espíritos nos quais o real sucumbe aos mitos, / vós que buscais o além, na prece e nas orgias,/ ora cheias de prantos, oras cheias de gozos, como em Baudelaire e suas Flores do mal. As pétalas (versos de Silvia) possuem os segredos das estrelas que ressuscitaram e passaram a viver no mar; muitos poemas são quintetos, imitam a maioria das flores, as pentâmeras. As figuras de estilo parecem surfar nas cristas e curvas das ondas, freiam os versos com as mãos, aceleram com os pés pra trás, abre os ombros e firmam mergulhando efemeramente no vazio dos “barrels”. O real e o sexual que permeiam o comportamento humano aparecem frisando o que leva a relação sexual a não cessar de não se escrever (Lacan) como as ondas nas areias, nas praias, nos rochedos.
Andrea Villa-Lobos,
poeta e psicanalista.
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Sobre a autora:
Silvia Pina é professora e psicanalista, nasceu em Aracaju é formada em Letras pela UFS. Apaixonada pela poesia na sua escrita poética refaz o vazio das palavras onde pode delirar, chorar, libertar corpo e alma. Enquanto escreve é rio manso na superfície e correnteza por dentro.
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Outras informações:
Título: Mergulho
Autor: Silvia Pina
Gênero: Poesia
Tamanho: 14 x 21 cm
Páginas: 76
Papel: Polén Bold 90 g/m²
ISBN: 978-65-82024-03-0
Ano: 2026




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